Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 02/09/2019 às 08:23:19

O Grito dos Excluídos

O Grito dos Excluídos é um conjunto de manifestações que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com os Movimentos Sociais, realiza todos os anos, ao longo da Semana da Pátria, culminando no Dia da Independência do Brasil, sete de Setembro, a fim de chamar a atenção da sociedade para as condições de crescente exclusão social em nosso Brasil. Não é um movimento, nem uma campanha, mas um espaço de participação livre e popular em que os próprios excluídos, junto com os movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz o protesto oculto nos esconderijos da sociedade e, ao mesmo tempo, gritam por mudanças.

          O Grito dos Excluídos nasceu no contexto da Segunda Semana Social Brasileira, realizada entre 1993 e 1994, quando estava à frente das Pastorais Sociais o bispo Dom Luiz Demétrio Valentini; e como desdobramento da Campanha da Fraternidade de 1995 que tinha como tema: “A Fraternidade e os Excluídos” e como lema: "Eras tu Senhor?".

          O Grito dos Excluídos acontece no dia em que celebramos nossa Independência para mostrar que não basta uma independência politicamente formal. A verdadeira independência passa pela soberania da Nação. A proposta é trazer o povo das arquibancadas ou das calçadas para a rua. Em vez de um patriotismo passivo que se limita assistir ao desfile de armas, soldados e escolares, o Grito dos Excluídos propõe um patriotismo ativo, disposto a pôr a nu os problemas do país e debater seriamente seu destino. É um momento oportuno para o exercício da cidadania.

          Cada ano escolhe-se um tema e um lema sob cuja luz se orienta toda a organização do Grito. Neste ano o tema é: “Esse sistema não Vale: Lutamos por Justiça, direitos e liberdade”. É uma alusão direta à empresa Vale, mineradora multinacional brasileira, responsável pelo rompimento das barragens de Brumadinho e de Mariana que mataram além de centenas de pessoas, dois rios: o Doce e o Paraopeba.

          O Grito dos Excluídos tem três momentos: preparação, realização e encaminhamentos.

Na preparação os articuladores promovem encontros nacionais e regionais. Elaboram subsídios, entre eles o hino e um livreto contendo diversos encontros, chamados “Rodas de Bate Papo”. Os temas para as Rodas de Bate Papo deste ano de 2019 são os seguintes:

  • Vamos ocupar ruas e praças por liberdade e direitos;
  • Este sistema não vale, exclui, degrada, mata;
  • Este sistema não vale, lutamos por justiça, direitos e liberdade;
  • No campo e na cidade a luta é por justiça, direitos e liberdade;
  • Se é público, é para todos, contra o desmonte do Estado e das políticas sociais;
  • O Brasil quer serviços públicos gratuitos e de qualidade. Basta de privilégios;
  • Mais Estado, mais políticas sociais, garantir direitos, justiça e liberdade;
  • Democratizar o Estado, garantir direitos, justiça e liberdade;
  • A organização do povo é o caminho para vencer a ganância e a retirada de direitos.

Na realização os organizadores levam o Grito para as ruas. As atividades são muito diversificadas: atos públicos, romarias, celebrações especiais, seminários, cursos, blocos na rua, caminhadas, teatros, danças, feiras de economia solidária ...

Os encaminhamentos ficam por conta das lideranças que vão surgindo dentro do processo. No dizer de Ari Alberti, um dos coordenadores nacionais, o Grito desperta militância e faz repercutir os nossos gritos de cada dia.

O lema deste ano é: “Vida em primeiro lugar”, muito bem realçado no hino que tem a seguinte letra:

A vida em primeiro lugar

Lutamos por justiça,

Direitos e liberdade.

 

A vida em primeiro lugar

Este sistema não vale

No campo ou na cidade

 

Água

(Coro) Pra todos

Comida

(Coro) Pra todos

Moradia

(Coro) Pra todos

A vida

(Coro) Pra todos.

 

Vamos juntar nosso grito

Do sul ao norte

Vamos juntar nossas mãos, nossas vozes

Cantando bem forte

A vida em primeiro lugar...

 

Não me consta que em nossa Diocese de Cornélio Procópio se tenha a tradição de celebrar o Grito dos Excluídos. Podemos, no entanto, começar. Afinal de contas como lembra o Papa Francisco, “o mundo atual é cada dia mais elitista e cada dia é mais cruel com os excluídos. Os países em desenvolvimento continuam sendo depauperados dos seus melhores recursos naturais e humanos em benefício de poucos mercados privilegiados”. “Infelizmente, são palavras do Papa, as periferias existenciais de nossas cidades estão densamente povoadas pelas pessoas descartadas, marginalizadas, oprimidas, discriminadas, maltratadas, exploradas, abandonadas, pobres e sofridas. Somos chamados a consolá-los em suas aflições e oferecer-lhes misericórdia, para satisfazer sua fome e sede de justiça”.


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