Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 23/08/2017 às 15:57:21

Próximo domingo Dia dos Catequistas

No contexto do mês vocacional, no próximo domingo, dia 27, vamos rezar por todos e por todas as catequistas do Brasil. Naturalmente que a nossa atenção se direcionará de modo especial aos e às catequistas de nossa Diocese.

         O ministério de catequista é um dos mais importantes e necessários na Igreja. Nos textos do Novo Testamento são chamados de doutores (At 13,1). São Paulo, numa classificação hierárquica, coloca-os em terceiro lugar. “E aqueles que Deus estabeleceu na Igreja são, em primeiro lugar, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, doutores” (1Cor 12,28). Do tempo dos Apóstolos chegou até nós um pequeno catecismo chamado Didaqué ou Doutrina dos Doze Apóstolos.

Muitos bispos, lá no início da Igreja, faziam questão de exercer o ministério de catequista. São famosas as catequeses pré-batismais e mistagógicas de São Cirilo, bispo de Jerusalém (+386), de São João Crisóstomo, bispo de Constantinopla (+407), de Teodoro bispo de Mopsuestia (+428). Das catequeses de Santo Ambrósio, bispo de Milão (+397) restou-nos dois pequenos livros: um sobre os sacramentos e outro sobre os mistérios. Santo Agostinho (+430), atendendo o pedido do diácono Deogratias e vendo que outros catequistas passavam pelas mesmas dificuldades, escreveu um pequeno tratado teórico e prático sobre o modo de catequizar, intitulado: “A Catequese das Pessoas Simples”.

Do laicato, nos primórdios da Igreja, também surgiram grandes catequistas. Entre tantos, destacam-se Tertuliano (+220) e Origenes (+253/254). Tertuliano ficou famoso por sua catequese apologética, ou seja, de ataque aos pagãos e de defesa da fé cristã. Criou frases ou sentenças ainda hoje repetidas: “A alma é naturalmente cristã”; “O sangue dos mártires é semente de cristãos”. Orígenes, ainda adolescente, foi encarregado pelo bispo Demétrio da formação dos catecúmenos em Alexandria, norte do Egito. Durante a perseguição de Décio, acompanhava seus catequizandos ao martírio, animando-os e exortando-os à perseverança. Morreu com 69 anos, em conseqüência das torturas sofridas na prisão.

Nos dias de hoje, onde, segundo o Papa Bento XVI, impera o relativismo, é preciso que nossos e nossas catequistas se inspirem nesses catequistas do começo da Igreja. Também hoje, como naqueles tempos, os e as catequistas desempenharão bem seu ministério se forem pessoas de fé profunda, de identidade cristã e eclesial clara, de fina preocupação missionária e de sensibilidade social profunda, ou seja, pessoas com capacidade para serem mestres, educadores e testemunhas (DGC 237).

O Papa Francisco, em 2013, por ocasião do Ano da Fé, dirigiu-se aos catequistas com estas palavras:

“Ser catequista! Vejam bem, não disse, “agir” como catequista, mas “ser” catequista envolve a vida, leva ao encontro com Jesus pela palavra, a vida e o testemunho. “Ser” catequista requer amor, amor sempre mais forte por Cristo, amor pelo seu povo santo. Este amor, necessariamente, parte de Cristo.

O que significa partir de Cristo para um catequista, para vocês, também para mim, porque também eu sou um catequista?

Primeiro de tudo, partir de Cristo significa ter familiaridade com ele. Jesus recomenda com insistência aos discípulos na Última Ceia, quando estava prestes a viver o dom mais alto do amor, o sacrifício da Cruz. Jesus utiliza a imagem da videira e dos ramos e diz: permaneçam no meu amor, permaneçam ligados a mim, como o ramo está ligado à videira. Se somos unidos a ele, podemos dar frutos, e esta é a familiaridade com Cristo. (...).

O segundo elemento é este: partir de Cristo significa imitá-lo no sair de si e ir ao encontro do outro. Esta é uma experiência bela, e um pouco paradoxal. Por que? Porque quem coloca no centro da própria vida Cristo sai do centro! Mas se une a Jesus e ele se torna o centro de sua vida. Mais, ele o faz sair de si mesmo, o descentraliza, o abre para os outros. Este é o verdadeiro dinamismo do amor, este é o movimento do próprio Deus! Deus é o centro, mas é sempre doação de si, relação, vida que se comunica... Assim nos tornamos também nós se permanecemos unidos a Cristo. Ele nos faz penetrar neste dinamismo do amor. Onde há verdadeira vida em Cristo, há abertura ao outro, há saída de si para ir ao encontro do outro em nome de Cristo” (...).

O Papa encerra seu discurso agradecendo aos e às catequistas por aquilo que fazem, mas especialmente, porque estão na Igreja, no Povo de Deus em caminho. Pede para que permaneçam com Cristo e procurem ser sempre uma só coisa com ele.

De minha parte, enquanto bispo, também envio aos e às 756 catequistas de nossa Diocese o meu afeto agradecido pelo que são e pelo que fazem, pedindo que Nossa Senhora interceda junto de seu divino Filho por todos e todas. 


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