Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 08/08/2017 às 09:12:38

Dia dos Pais e "Semana da Família"

No contexto do mês das vocações, no próximo domingo estaremos celebrando o Dia dos Pais e iniciando a Semana da Família.

                Aproveitemos a oportunidade para uma reflexão sobre o relacionamento entre pais e filhos.

O conflito de gerações não é de hoje. Li essas frases. "Nossa juventude (...) é mal educada, zomba da autoridade e não tem nenhuma espécie de respeito para os mais velhos. Nossas crianças de hoje (...) não se levantam quando um ancião entra numa sala, respondem a seus pais e tagarelam em lugar de trabalhar. São simplesmente más”. Pensei que fosse de algum professor de Escola pública. Não, era de Sócrates, que viveu entre os anos 470-399 aC. Continuei lendo: “Não tenho nenhuma esperança para o futuro de nosso país, se a juventude de hoje lhe assumir o comando amanhã, porque esta juventude é insuportável, sem compostura, simplesmente terrível”. De novo, esbarrei com um autor ainda mais antigo: Hesíodo, 720 aC. Fui mais longe na leitura: “Este mundo atingiu um estágio crítico. As crianças não escutam mais seus pais. O fim do mundo não pode estar longe”, assim escrevia, não um sacerdote de hoje, mas um sacerdote egípcio 2.000 aC. Finalmente, avancei mais ainda no tempo: “Esta juventude está corrompida até o mais profundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Não serão nunca como a juventude de antigamente. Os de hoje não serão capazes de manter nossa cultura”. Este pensamento foi escrito 3.000 anos antes de Cristo, num jarro de argila encontrado nas ruínas da Babilônia.

Também não é de hoje a desculpa dos mais velhos. Para eles os jovens é que são culpados. O poeta grego Hesíodo (800 a.C) escreveu: “Não vejo esperanças para o futuro de nosso povo se ele depender da frívola e inconstante mocidade de hoje. Hoje todos os jovens são levianos e rebeldes. No meu tempo não era assim”.

Os jovens, no entanto, não têm olhar tão negativo a respeito dos pais nem da família. A família é a instituição mais apreciada por toda classe de jovens. A despeito das mudanças na estrutura familiar, constatadas ao longo das últimas décadas, os jovens brasileiros acreditam que a família detém, ainda hoje, muita influência na formação das futuras gerações e um papel relevante no nucleamento dos laços sociais. Noventa e sete por cento dos jovens convivem diariamente em família, em relacionamento intergeracional. Para eles a família é vista como instância fundamental para a vida nos planos afetivo, ético e comportamental. É a instituição em que eles mais confiam. É o suporte vital para o seu amadurecimento.

À pergunta: a quem mais recorrem quando precisam de ajuda. A família aparece como fonte principal de apoio. Ao pedido para associar idéias em torno da palavra família, as que mais aparecem são: a família é tudo; a família é paz, harmonia, união, a família é essencial. À pergunta sobre o futuro, a maioria respondeu: quero estar casado (a) e com filhos.

Mas os jovens também têm algumas reclamações. À pergunta sobre os problemas que têm que enfrentar, as respostas mais comuns foram sobre problemas domésticos: Pais que não conversam ou que brigam muito. Pais que bebem e maltratam.

Na família a figura do pai é de importância capital. Estudos apontam que a ausência do pai leva os jovens ao uso de drogas, a evasão escolar e a aproximação da criminalidade.

A solução dos problemas sociais e familiares passa menos pela repressão e mais pela reestruturação da família (Luiz Fernando Oderich, presidente da ONG Brasil sem grades). Dos jovens que cumprem medida de internação judicial por ato infracional, 20% não têm o nome do pai na certidão de nascimento.

As atitudes do pai são referência para os filhos. As boas para imitar, as ruins para modificar (Psicóloga Fátima Piovesan).

Muitos pais não sabem indicar o caminho aos filhos porque eles mesmos não têm certeza deste caminho. A relação dos pais com os filhos jovens começa na infância. É comum a afirmação: a criança, hoje, comanda a vida dos pais. Passou-se do patriarcado ao filiarcado. Por isso é muito importante ter bem claro quais os valores que consideramos essenciais para nossa vida de família. Citemos alguns.

1 - O AMOR com tudo o que esta palavra supõe na perspectiva cristã (1Co 13,4-7). Que os filhos conheçam a força do amor.

2 - A FIRMEZA no sentido de segurança.

3 - O DIÁLOGO para explicar as diferentes atitudes dos pais.

4 - O PERDÃO para não transformar a correção em acusação.

Este círculo não termina, mas sempre recomeça: amor, firmeza, diálogo, perdão.

         Na comemoração do Dia dos Pais, juntamente com a gratidão por tudo o que eles fazem em favor de suas famílias, envio-lhes a certeza de minhas orações para que possam ser às novas gerações o que realmente devem ser: “protetores e mediadores insubstituíveis da fé na bondade, da fé na justiça e na proteção de Deus”.


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