Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 26/06/2019 às 17:54:03

São Pedro e São São Paulo - Ambos, na fé e no amor de Jesus Cristo

Em Roma, desde o século III, São Pedro e São Paulo sempre foram celebrados no dia 29 de junho.

         O Martirológio Romano nos dá esta informação: “Ambos, na fé e no amor de Jesus Cristo, anunciaram o Evangelho na cidade de Roma e morreram mártires no tempo do imperador Nero: Pedro, segundo a tradição foi crucificado de cabeça para baixo e sepultado no Vaticano, junto à Via Triunfal; Paulo morreu ao fio da espada e foi sepultado junto à Via Ostiense. O triunfo dos dois Apóstolos é celebrado neste dia com igual honra e veneração em todo o orbe da terra”.

São Pedro e São Paulo são celebrados na mesma solenidade porque, na implantação da Igreja receberam missões complementares. Um ficou encarregado de anunciar o Evangelho aos pagãos, ou outro precisou se preocupar mais com o povo da Antiga Aliança. Suas figuras, na verdade se iluminam mutuamente.

         Quem foi São Paulo?

         Na Carta aos Filipenses, ele mesmo dá algumas informações a seu respeito. Era judeu, filho de judeus, da tribo de Benjamim. Foi circuncidado no oitavo dia, conforme estava prescrito na Lei, da qual ele era, enquanto fariseu, observador irrepreensível e perseguidor da Igreja (Fp 3,4-6). Na carta aos Gálatas informa-nos que era extremamente zeloso das tradições paternas e sua intenção era de fato destruir a Igreja de Deus (Gl 1,13). Na primeira carta aos Coríntios afirma: “Pois eu persegui a Igreja de Deus” (1Cor 15,9). Os Atos dos Apóstolos contam que, antes da conversão se chamava Saulo e que nasceu na cidade de Tarso (At 9,11; 22,3), cidade importante da província romana da Cilícia (At 21,39), ao sul da atual Turquia. Contam também que, respirando ameaças de morte contra os discípulos do Senhor (At 9,1), Saulo invadia as casas e arrancava de lá homens e mulheres e os lançava na prisão (At 8,3), e com torturas, (At 26,11) perseguia-os até a morte (At 22,4). Na primeira carta a Timóteo afirma que antes da conversão “blasfemava, perseguia e agia com violência (1Tm 1,13). Segundo São Jerônimo, sua família era natural de Giscala, na Galileia. Sabe-se que ainda jovem estudou em Jerusalém, tendo como mestre Gamaliel, um dos principais rabinos de sua época (At 22,3). Para se sustentar fabricava tendas (At 18,2-3; 1Ts 2,9). Cidadão romano de nascença (At 22,28), aproveitou-se deste privilégio para exigir o direito de apelar da jurisdição de um tribunal inferior para a do imperador de Roma (At 16,37; 22,25; 25,11), de ter julgamentos justos, com isenção de punições degradantes como ser chicoteado, ou crucificado. Numa viagem a Damasco teve uma forte experiência em que Cristo ressuscitado o confrontou. A partir de então passou a ser o grande propagador da fé que outrora se empenhava em destruir (Gl 1,21-24). Depois de ter anunciado a Palavra de Deus em muitas cidades do império romano, terminou sua vida em Roma, durante a perseguição promovida pelo imperador Nero, quando foi decapitado em um lugar chamado Aquae Salviae, e sepultado onde está agora a Basílica de São Paulo-Fora-dos-Muros.

         E o que sabemos de São Pedro?

         De profissão, Pedro foi pescador, proprietário de um barco. Significa que sua condição social não era das piores. Poder-se-ia dizer que era da classe média baixa. O Evangelho narra que no primeiro encontro que teve com Jesus, seu nome foi mudado de Simão para Pedro, ou na língua hebraica, Cefas que quer dizer pedra, rocha (Jo 1,41-42).

         Na Bíblia o nome representa a missão da pessoa. Mudar o nome significa atribuir uma nova missão àquela pessoa. Cristo ao dizer: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as forças do inferno não poderão vencê-la”, estava dando a Pedro a missão de ser o fundamento do novo povo de Deus, ou seja, aquele que haveria de dar firmeza e solidez à Igreja. Inclusive Paulo foi a Jerusalém para encontrar-se com Pedro e certificar-se de que não estava correndo em vão (Gl 2,1-10).        

A palavra cefas, em hebraico, além de pedra sólida, significa também gruta rochosa, uma espécie de abrigo natural muito comum na região da Palestina. Estes abrigos serviam de proteção aos peregrinos surpreendidos pela noite, pelas tempestades ou pelo frio. Os pastores e suas ovelhas, não podendo voltar para casa, passavam a noite ali. Os fugitivos de guerra e perseguições procuravam nestas grutas esconderijos e restauração para suas forças.

Jesus ao mudar o nome de Simão para Pedro ou Cefas, além de indicar que ele haveria de ser o fundamento da fé, deu a ele a missão de ser também protetor, consolador e animador nas horas de dificuldades e perseguições.

         São Pedro começou seu ministério em Jerusalém. Provavelmente por causa da perseguição que se desencadeou em Jerusalém, transferiu-se para a cidade de Antioquia, uma cidade da atual Turquia. De lá foi para Roma. Ali foi crucificado de cabeça para baixo, porque não se achava digno de morrer como Jesus morreu.

A Igreja católica sempre professou que os Papas, através da história são os legítimos sucessores de São Pedro. Por isso, na oportunidade em que celebramos a Solenidade de São Pedro e São Paulo, nós católicos homenageamos também o Papa com orações especiais. Neste dia, fazemos também uma coleta especial e enviamos à Roma para que o Papa use este dinheiro, ajudando as pessoas e as instituições por ocasião de calamidades públicas.    


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