Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 21/11/2018 às 15:37:21

Celebração de Cristo Rei

Comecemos com um esclarecimento: a Padroeira de nossa Diocese é Nossa Senhora no seu Imaculado Coração, enquanto que o Padroeiro da Catedral é Cristo Rei, cuja Solenidade vamos celebrar no próximo domingo.

         Desde os primórdios, os cristãos deram a Jesus o título de Rei, como se pode constatar nos Evangelhos e demais textos do Novo Testamento.

         Ao anunciar à Maria que seria a mãe do Salvador, o anjo Gabriel disse que ela daria à luz um Rei, cujo reinado não haveria de ter fim (Lc 1,31-33).

         Por ocasião do seu nascimento alguns Magos, vindos do Oriente, chegaram a Jerusalém e perguntaram: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?” Em seguida, tendo-o encontrado em Belém, reconhecem-no como rei ao presentear-lhe com barras de ouro (Mt 2,2.11).

         Durante sua vida pública, Jesus não contradiz o ato de fé de Natanael: “Tu és o Rei de Israel” (Jo 1,49). Às vésperas de sua Paixão, entra triunfalmente em Jerusalém e se deixa aclamar pela multidão como Rei de Israel (Lc 19,38; Jo 12,13). Diante de Pilatos, à pergunta: “Tu és o Rei dos Judeus?”, respondeu: “Tu o dizes!” (Mt 27,11; Mc 15,2; Lc 23,3; Jo 18,33). No entanto, teve o cuidado de explicar que era um Rei diferente, e que seu Reino não era deste mundo (Jo 18,36), ou seja, ele era rei, mas não como “os reis das nações que dominam sobre elas, nem como os reis que exercem o poder e se fazem chamar benfeitores” (Lc 22,25). Os reis deste mundo, ao longo da história, cometer am muitas injustiças. Queriam ser servidos, e muito bem servidos, pelo povo. Muitos moraram em palácios dourados, cheios de todo tipo de luxo que nem conseguimos imaginar. O povo morava em tugúrios, passando fome. Jesus não veio para ser o mais poderoso rei de todos os tempos, mas sim para ser um rei que se coloca a serviço de seu povo, a ponto de dar a própria vida. Coerente com esta compreensão de realeza, retirava-se para as montanhas, cada vez que a multidão queria arrebatá-lo para o fazer rei (Jo 6,15).

         No Apocalipse, João, o Vidente, descreve a seguinte visão: “Vi então o céu aberto, e apareceu um cavalo branco. Aquele que o montava chama-se “fiel” e “verdadeiro”: ele julga e combate com justiça. Seus olhos são como chama de fogo. Sobre sua cabeça há muitos diademas. Ele traz um nome que ninguém conhece, a não ser ele mesmo. Está vestido com um manto embebido de sangue. (...). No manto e na sua coxa, traz escrito um nome: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores” (Apc 19,11-13.16).

         No fim dos tempos, Jesus virá como Rei glorioso e sentado, tendo diante de si todas as nações, separará os bons dos maus e dirá aos bons: “Vinde benditos de meu Pai. Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! (Mt 25,34).

         Na celebração de Cristo Rei do Universo, em 1981, Dom José Gomes, quando era bispo de Chapecó, na homília, fez o seguinte comentário: “Que é um rei? Rei é aquele que governa um povo. Governar quer dizer dirigir, orientar, cuidar. Então a liturgia de hoje está dizendo que Jesus é aquele que governa, dirige, orienta, cuida do povo de Deus. O rei também faz as leis para o povo saber o que deve fazer. E Jesus Cristo deixou as suas leis, que os apóstolos escreveram no Evangelho. Podemos dizer que o Evangelho é a lei de Jesus que todos os cristãos devem seguir e obedecer. No Evangelho também encontramos como Jesus trabalha no meio do povo. Ele não foi um rei como os reis das nações, que moram em pal&aac ute;cios e que todo o mundo tem que prestar homenagens. Ele foi um rei que se meteu no meio do povo. Escutou o povo. Procurou ajudar os necessitados, os pobres, os doentes, os aleijados. Ele ainda disse: Eu não vim para receber homenagens e ser servido. Mas vim para ajudar e servir o meu povo. Este ensinamento nós o encontramos claro no Evangelho. Ele diz mais ainda. Ele diz que não veio para os que não precisam. Mas veio para os que estão doentes e necessitados. A maior lei que ele deixou para nós é: ajudar os irmãos necessitados, assim como ele mesmo fez. E esta é a lei do amor, a única lei que salva”.


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