Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 11/10/2018 às 12:52:36

Santos – Dom Oscar Romero e o Papa Paulo VI

No próximo domingo, dia 14 de outubro, em Roma o Papa Francisco vai declarar oficialmente que Dom Oscar Romero e o Papa Paulo VI são santos que, lá do céu, junto de Deus estão intercedendo por todos nós que, ainda somos fiéis peregrinos aqui nesta terra.

         Além de intercessores os santos são também modelos de vida para nós, seus irmãos. Um verdadeiro devoto, antes de ter o santo como seu protetor, o tem como exemplo de vida cristã a ser imitado.

Forçado a permanecer inativo em um hospital, o vaidoso e fogoso soldado, Inácio de Loyla se viu constrangido a ler a vida dos santos para ocupar o tempo. Foi esta a oportunidade que Deus lhe deu para abrir os olhos e ver que também ele era chamado a ser santo. Depois de cada biografia de santo lida, perguntava-se: “Se ele pode porque não poderei eu?”. Tornou-se, assim, o grande Santo Inácio de Loyola, fundador da ordem dos jesuítas, donde surgiram muitos outros grandes santos e muitos personagens ilustres, entre os quais o nosso Papa Francisco.

Daí a importância de se conhecer a história de nossos santos. Neste sentido, passo a dar algumas notícias sobre Paulo VI e também sobre Dom Oscar Romero.

Paulo VI nasceu no ano de 1897, três anos antes de se iniciar o século XX. Durante vários anos foi colaborador próximo do Papa Pio XII. Por oito anos foi arcebispo de Milão, no norte da Itália. Em 1963 foi eleito Papa, dando continuidade à grande obra do Concílio Vaticano II, iniciada pelo Papa João XXIII. Morreu aos 06 de agosto de 1978, com oitenta e um anos. Eu, e outros colegas que estudávamos em Roma tivemos a alegria de ajudar na missa em ação de graças pelo seu octogésimo aniversário.

Paulo VI incentivou muito o diálogo dentro e fora da Igreja. Foi histórico o abraço que ele o Patriarca Atenágoras I se deram no encontro de Jerusalém em 1964. Resultado desde abraço foi o cancelamento das excomunhões recíprocas impostas após o Grande Cisma entre o Oriente e o Ocidente em 1054. Para nós da América Latina, foi também muito importante sua visita à Colômbia para a abertura da II Conferência Geral do Episcopado Latino Americano em Medellin. Em seu discurso, pediu-nos de modo particular que déssemos testemunho de pobreza. “A avareza, a ânsia de posse como fim em si mesma, o bem-estar supérfluo são obstáculo ao amor, são no fundo uma fraqueza, são uma inc apacidade para a entrega pessoal ao sacrifício. Superemos esses obstáculos e deixemos que o amor governe nossa missão confortadora e renovadora”.

         De Dom Romero já tive oportunidade de falar em outras ocasiões. Lembro apenas que foi alvo de muitas calúnias, as quais fizeram o Vaticano, através da Congregação para os Bispos, enviar em duas ocasiões (1978 e 1979) visitadores apostólicos para revisar seu comportamento como Arcebispo de San Salvador. Sentindo a necessidade de ir à Roma para se explicar ao Papa, encontrou-o mal informado. O Papa não aceitou suas explicações e o repreendeu severamente, causando-lhe muito sofrimento. Na Praça de São Pedro derramou lágrimas de dor. Sua fidelidade ao Papa, no entanto, não foi abalada. Numa de suas homílias afirmou: “É fácil pregar teoricamente seus ensinamentos, seguir fielmente o magistério d o Papa em teoria. É muito fácil! Porém, quando se trata de viver, quando se trata de encarnar, quando se trata de fazer realidade na história de um povo sofrido como o nosso, esses ensinamentos, nascem então os conflitos. Mas nunca me fiz infiel. Jamais! Ao contrário, sinto que hoje sou mais fiel porque vivo a prova, o sofrimento e a alegria íntima de proclamar, não somente com palavras, ou de boca para fora, uma doutrina que sempre acreditei e amei, mas que também estou tentando fazê-la vida nesta comunidade que o Senhor colocou sob meus cuidados”.

         Em tempos em que a autoridade do Papa Francisco é contestada por alguns que se auto proclamam paladinos da verdade, e até sugerem a renúncia do Papa, o exemplo de Santo Oscar Romero deve marcar fundo os nossos corações e nos manter firmes na condução de uma Igreja sempre mais comprometida com o Evangelho de Cristo e em plena comunhão com sucessor de Pedro, mesmo que isto não seja fácil, como não foi para Santo Oscar Romero.

 


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