Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 01/10/2018 às 16:54:40

Eleições 2018

Estamos às vésperas do primeiro turno das eleições de 2018. Vamos eleger nossos governantes (Presidente da República, Congresso Nacional, Governadores dos Estados e Deputados Estaduais).

Sem dúvida, a possibilidade de escolher os próprios governantes é ato de cidadania que precisa ser exercido com muita responsabilidade. Se nem todo bom cidadão é católico, todo católico tem de ser bom cidadão. Neste sentido, é que se deve entender a afirmação do Papa Francisco: “Envolver-se com a política é obrigação para um cristão. Nós, cristãos não podemos nos comportar como Pilatos, lavando-nos as mãos. Não podemos! Devemos nos envolver na política, porque a política é uma das formas mais elevada da caridade”.

Mais recentemente, em sua viagem à Lituânia, na cidade Vilnius, diante de mais de 100 mil pessoas que recordavam o 75º aniversário do massacre do povo judeu ocorrido naquela cidade em 23 de setembro de 1943, conseqüência das sandices do fascismo e do nazismo, o Papa fez este apelo: “Façamos memória daqueles tempos e peçamos ao Senhor que nos conceda o dom do discernimento para descobrir a tempo qualquer novo germe daquele comportamento pernicioso, de qualquer aragem que atrofie o coração das gerações que, não o tendo experimentado, poderiam correr atrás daqueles cantos de sereia”.

No Brasil a Igreja católica sempre se preocupou em dar aos seus fiéis orientações práticas sobre o correto exercício da cidadania, principalmente, por oportunidade das eleições. Para este ano de 2018, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, ainda no mês de abril lançou uma nota de orientação. O Regional Sul II da CNBB que abrange as 18 dioceses e as duas eparquias dos católicos de rito ucraniano, lançou uma cartilha, entitulada: “Os Cristãos  e as Eleições 2018”.  Depois disso, vários Bispos também se pronunciaram, esclarecendo seus fiéis, nas respectivas Dioceses. Na última semana, a Conferência Nacional dos Religiosos do Brasil que representa uma significativa porção da Igreja de Deus em nossa Pátria, também fez um pronunciamento muito esclarecedor.   

Com suas orientações a Igreja não pretende se sobrepor à consciência de ninguém, mas apenas oferecer critérios de discernimento.

Neste sentido vou repetir neste espaço alguns desses critérios apresentados pelos documentos acima citados.

Da Nota da CNBB, entitulada: “Eleições 2018 – Compromisso e Esperança, destaco estes parágrafos:

“Nas eleições não se deve abrir mão de princípios éticos e de dispositivos legais, como o valor e a importância do voto, embora este não esgote o exercício da cidadania; o compromisso de acompanhar os eleitos e participar efetivamente da construção de um país justo, ético e igualitário; a lisura do processo eleitoral, fazendo valer as leis que o regem, particularmente, a Lei 9840/1999 de combate à corrupção eleitoral mediante a compra e a venda de votos e o uso da maquina administrativa, e a Lei 135/2010, conhecida como “Lei da Ficha Limpa”, que torna ilegível quem tenha sido condenado em decisão proferida por órgão judicial colegiado”.

“Não merecem ser eleitos ou reeleitos candidatos que se rendem a uma economia que coloca o lucro acima de tudo e não assumem o bem comum como sua meta, nem os que propõem e defendem reformas que atentam contra a vida dos pobres e sua dignidade. São igualmente reprováveis candidaturas motivadas pela busca do foro privilegiado e outras vantagens”.

Do Pronunciamento da Conferência dos Religiosos do Brasil, eu chamo a atenção para:

Diante das eleições “é importante vencer a indiferença e o pessimismo. Em uma época de crise como a nossa, é importante cultivar a esperança. Evitemos votar em branco ou nulo. O voto branco ou nulo favorece aqueles que possuem mais dinheiro e já ocupam o espaço da política tradicional. O voto branco ou nulo é um voto de protesto e legítimo, mas, quando nós nos omitimos, corremos o risco de permitir que alguém inadequado ocupe o lugar de alguém íntegro”.

“Além disso, não podemos votar em candidatos que pregam abertamente a violência, como solução para a segurança pública. E não faz parte de nossas escolhas apoiar aqueles que, sem nenhum pudor, discriminam as mulheres, os afrodescendentes, os indígenas, os pobres e as crianças”.

“Procurem conhecer o perfil dos candidatos e candidatas a deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República. Cada cargo tem sua importância, para o nosso país. Examinem o que eles já realizaram, que projetos e causas defenderam em defesa da vida, dos pobres, das crianças e minorias. Analisem suas propostas para o futuro”.

É claro que diante desses critérios, precisamos estar conscientes de que “não existem partidos e candidatos ideais que correspondam 100% ao Evangelho. Joio e trigo crescem juntos e se misturam em diferentes proporções na política, como em qualquer outra realidade humana”.

Por isso, na política, é fundamental respeitar as diferenças e não fazer delas motivo para inimizades ou animosidade que desemboquem em violência de qualquer ordem.


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