Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 22/08/2018 às 08:01:23

Catequistas

No contexto do mês vocacional, no próximo domingo, vamos celebrar o Dia Nacional das (os) Catequistas.

        Desde os seus primórdios, a Igreja, depois do primeiro anúncio, preocupou-se com o ensino sistemático e aprofundado da fé, ou seja, da catequese. Seus titulares eram bispos, padres, diáconos e leigos.

        Não poucos dos grandes personagens cristãos da antiguidade exerceram o ministério de catequistas. Um deles foi Orígenes que, conforme o testemunho de Eusébio de Cesareia, aos dezoito anos começou a dirigir a escola de catequese de Alexandria. Por ocasião das perseguições, não só assistia seus discípulos na prisão, “mas ainda depois da sentença final, com maior audácia e expondo-se ao perigo, ficava junto deles ao serem os santos mártires levados para a morte”.

        Por volta do ano 405, o catequista, diácono Deogratias, mesmo sendo reconhecido como dotado de talento para transmitir a fé, percebia que ainda não conhecia a maneira exata de catequizar. Por isso escreveu a seu amigo, o bispo Santo Agostinho que fora catequista enquanto padre e também como bispo, para que escrevesse algumas orientações sobre o assunto.

        Santo Agostinho, tendo observado que outros catequistas estavam em idêntica situação, resolveu atender ao pedido do amigo e escreveu um pequeno tratado teórico e prático sobre o modo de catequizar.

        Neste livro faz afirmações muito interessantes sobre o catequista. Suas palavras devem ser tais que aquele que as ouve, ouvindo creia, crendo espere e, esperando ame.

        O catequista não deve rejeitar ninguém. Através de seu ministério, Deus é capaz de converter, até mesmo, aqueles cuja motivação inicial era dúbia ou mal intencionada.

        “Se, porém, o que se aproxima da fé espera com isso alguma recompensa de alguém a quem não acredita poder agradar de outra forma, ou tenta escapar de algum prejuízo causado por indivíduos cujo desagrado ou inimizade receia, não deseja realmente tornar-se cristão, mas simular o que deseja: a fé não está no corpo que se inclina, mas na alma que crê. Muitas vezes, entretanto, mostra-se nitidamente a misericórdia de Deus através do ministério do catequista e o novato, levado pela palavra, passa a desejar de fato, o que decidira simular”.

        Do catequista se espera três atitudes: humildade, alegria e capacidade de se adaptar às circunstâncias e ao auditório. A exemplo de Cristo que se aniquilou a si mesmo, assumindo a condição de escravo até a morte de Cruz e se fez fraco com os fracos a fim de ganhar os fracos, o catequista precisa descer das alturas de seus conhecimentos e vir para a planície dos que ainda não conhecem, falar com simplicidade e “demorar-se na lentidão das sílabas”. A alegria é outra condição para se realizar com proveito uma catequese. Nada é mais comunicativo do que o prazer e a alegria daquele que ensina. “O fio de nossa elocução é tocado pela nossa alegria e desenrola-se mais fácil e mais inteligível... Aquele que catequiza quem quer que seja, o faça com alegria: tanto mais agradável será a narração, quanto mais puder alegrar-se o catequista”. Além da humildade e da alegria, o catequista precisa ter em conta a diversidade de público. É muito diferente falar para muitos ou poucos, para cultos ou incultos, ou uns e outros, para pessoas da cidade ou do campo, ou uns e outros. “Apesar de que a mesma caridade se deve a todos, a todos não se aplica o mesmo remédio: assim também, a mesma caridade gera a uns, torna-se fraca em relação a outros, procura edificar a uns, teme ferir a outros, com uns carinhosa, com outros severa, de nenhum inimiga, de todos é mãe”.

        Muitos outros bispos, “sobretudo nos séculos III e IV, consideraram como parte importante do seu ministério episcopal proferir instruções ou escrever tratados catequéticos”(CT 12). De suas mentes, bocas e mãos saíram obras que ainda hoje continuam a ser modelos para nós.

        Em nossos dias, o ministério de catequista continua com todo o seu valor e suas exigências.  Na mensagem que escreveu por ocasião do Simpósio Internacional sobre Catequese, o Papa Francisco afirmou que em primeiro lugar a catequese não é um “trabalho”, mas uma vocação de serviço na Igreja. O catequista, no pensamento do Papa, “não é uma pessoa que parte das suas ideias e gostos pessoais, mas deixa-se fitar por aquele olhar que faz arder o coração”. Ainda segundo o Papa Francisco, o catequista é uma pessoa criativa. Sempre consegue adaptar-se para tornar a mensagem mais próxima e compreensível para seus discípulos.< /p>

        Às catequistas e aos Catequistas de nossa diocese desejo agradecer. Sou consciente de que elas e eles realizam sua missão com zelo inflamado e generoso. Minha prece é para que Nossa Senhora, no seu Imaculado Coração, seja sua guia e proteção.


envie seu comentário »

Veja Também

Veja + Palavra do bispo