Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 03/05/2018 às 09:33:29

São José Operário

No dia primeiro de maio, foi celebrada pelos católicos do mundo inteiro a memória de São José Operário. Esta celebração foi instituída pelo Papa Pio XII, em 1955, na Praça de São Pedro, no Vaticano, diante de 200 mil pessoas que alegres gritavam: “Viva Cristo Trabalhador, vivam os trabalhadores. Com a instituição desta festa o Papa quis dar um sentido cristão à comemoração do Dia do Trabalhador, como ele mesmo afirmou: “Queremos reafirmar, em forma solene, a dignidade do trabalho a fim de que inspire na vida social as leis da equitativa repartição de direitos e deveres”. O Dia do Trabalhador passou a ser comemorado de fato a partir de 1919, quando o Senado francês consagrou por lei a jornada de oito horas e proclamou que o dia 1º de maio fosse feriado. Nos anos seguintes outros países seguiram o mesmo caminho, fazendo com que a data se tornasse internacional. Esta conquista, no entanto, não foi espontânea. Ela é fruto de muita luta e do sacrifício de muitas vidas. Desde o final do século XIX, os trabalhadores vinham reivindicando os seus direitos e exigindo a mudança das leis que até então regiam as relações entre trabalhadores e empresários. Numa oportunidade, apenas na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, foram às ruas mais de 500 mil trabalhadores. Com a festa de São José operário, a Igreja deseja proclamar o valor real do trabalho, aprovar e abençoar as lutas da classe trabalhadora que, ainda hoje em muitos países, inclusive no Brasil, continuam sendo travadas para se obter maior justiça na relação entre trabalho e trabalhador. A memória de São José Operário tem também a finalidade de provocar entre os fiéis católicos uma reflexão sobre os ensinamentos da Igreja, a respeito do trabalho, do trabalhador e de sua dignidade. A Igreja ensina que com o seu trabalho, o ser humano sustenta regularmente a própria vida e a dos seus. Com seu trabalho o ser humano pode também colaborar com o próprio Deus no aperfeiçoamento da criação divina e pode, através da prática da caridade, ajudar outras pessoas, suas irmãs, especialmente as mais necessitadas. Segue-se daí que “o trabalho deve ser remunerado de tal modo que se ofereça ao ser humano a possibilidade de manter a sua vida e a dos seus, sob o aspecto material, social, cultural e espiritual, considerando-se a tarefa e a produção de cada um, assim como as condições da empresa e o bem comum” (GS 67). A Igreja ensina também que o ser humano tem direito a um trabalho digno e não pode nunca ser submetido a condições degradantes de trabalho que reduzem os operários a meros instrumentos. Não podemos, por isso, ficar indiferentes diante dos 14 milhões de brasileiros desempregados e das notícias, mais ou menos freqüentes de situação de trabalho escravo, em que são submetidos irmãos e irmãs nossas. O trabalho escravo “contradiz sobremaneira a honra do Criador” (GS 27). No ano 2000, no Jubileu dos Trabalhadores, o Papa São João Paulo II assim se expressou: “Queridos trabalhadores, empresários, cooperadores, homens da economia uni os vossos braços, as vossas mentes e os vossos corações a fim de contribuir para a construção de uma sociedade que respeite o ser humano e o seu trabalho”. Todos os anos a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por ocasião da Festa de São José Operário e do Dia do Trabalhador envia uma mensagem. Neste ano os Bispos começam afirmando que a “Igreja coloca-se ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras em sua luta por justiça e dignidade, sobretudo, neste momento de prolongada crise vivida pelo Brasil”. Em seguida, os Bispos afirmam com muita firmeza e coragem que “o trabalho humano não pode ser governado por uma economia voltada exclusivamente para o lucro, sacrificando a vida e os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”. A solução da crise por que passa o Brasil não pode ser a custa da perda de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. “Nos projetos políticos e reformas, o bem comum, especialmente dos mais pobres, e a soberania nacional devem estar acima dos interesses particulares, políticos ou econômicos”. Por fim, fazem uma calorosa conclamação aos católicos e a todas as pessoas de boa vontade para que vençam a tentação da indiferença e da omissão, “colocando-se decididamente ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras, assumindo a defesa de seus direitos e de suas justas reivindicações”. Que São José operário nos ajude a entender que “seja qual for o nosso trabalho, nós o devemos fazê-lo de boa vontade, como se fosse para o Senhor, e não para os seres humanos, sabendo que é o Senhor quem nos compensará” (Col 3,23-24).


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