Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 16/01/2018 às 11:57:21

14º Intereclesial das CEBs

Dos dias 23 a 27 de janeiro próximos a Arquidiocese de Londrina sediará um evento de grande importância para a Igreja católica do Brasil e de modo especial para Igreja do Paraná. Trata-se do 14º Intereclesial das CEBs. 
Segundo os Bispos do Brasil, em sua Mensagem ao Povo de Deus sobre as Comunidades Eclesiais de Base, “os Encontros Intereclesiais das CEBs são patrimônio teológico da Igreja do Brasil. Desde a realização do primeiro, em 1975 (Vitória – ES), reúnem diversas dioceses para troca de experiência e reflexão teológica e pastoral acerca da caminhada das CEBs. Foram treze encontros nacionais, diversos encontros de preparação em várias instâncias (paróquias, dioceses, regionais) e, desde a realização do 8º Intereclesial ocorrido em Santa Maria – RS (1992), são realizados seminários de preparação e aprofundamento dos temas ligados ao encontro.
Manifestação visível da eclesialidade das CEBs, os Encontros Intereclesiais congregam bispos, religiosos e religiosas, presbíteros, assessores e assessoras, animadores e animadoras de comunidades, bem como convidados de outras Igrejas cristãs e tradições religiosas. Neles se expressa a comunhão entre fiéis e seus pastores”.
Os Intereclesiais de CEBs tem crescido sempre, desde o 1º em Vitória no ano de 1975 em que participaram 70 pessoas até o 13º em Juazeiro do Norte com a participação de 4036. Em cada um deles, sob a luz de um texto bíblico foi aprofundado um aspecto da Igreja ou da sociedade.  
O tema do 14º Intereclesial de Londrina é: CEBs e os desafios do Mundo Urbano. Motivadas pelo lema - “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” - três mil e trezenas pessoas irão refletir sobre as várias questões que afligem o mundo urbano e tentarão vislumbrar pistas de diálogo e de superação aos desafios apresentados. 
Diante de um povo escravizado, Deus não consegue ficar indiferente. Vendo a miséria do povo, ouvindo o seu clamor, do meio de uma sarça ardente chama Moisés e o envia como seu mensageiro para dizer aos escravos que, em sua misericórdia, vai libertá-los (Ex 3,7).
Diante da insensibilidade dos políticos brasileiros que nos últimos tempos têm patrocinado ao povo brasileiro uma profunda perda de direitos duramente conquistados, a Igreja, como Deus, movida pela misericórdia, não pode deixar de constatar o clamor surdo que se levanta do meio dos pobres. Deixando-se tocar pelo gesto de Deus que ouve e vê o sofrimento de seu povo, o cristão não pode camuflar nem ideologizar a dor dos pobres. É sua missão denunciar e desmascarar os mecanismos de corrupção e exploração que o nosso Governo tem descaradamente promovido.
 
 Misericórdia não é mera compaixão. É um grande amor, um amor real e incondicional, um amor primeiro e último que transcende a tudo, que corre qualquer risco pessoal e institucional, para atender o ferido no caminho (Sobrino).
A misericórdia sempre tende a ser eficaz. Por isso, tende também a se transformar em justiça e a se empenhar na construção de um mundo onde a verdade vença a mentira; a vida a morte; e a fraternidade a opressão. 
No entanto, porque movido por “entranhas de misericórdia” o cristão não pode fechar o futuro ao corruptor e ao explorador. O cristão, em meio aos conflitos, procura sempre caminhos de perdão.
Um mundo no qual se eliminasse o perdão seria apenas um mundo de justiça fria e irrespeitosa, em nome da qual cada um reivindicaria os próprios direitos em relação aos demais (DM 95).
Um dos grandes desafios do mundo urbano é a violência que tem como conseqüência o medo, a desconfiança e a suspeita. As pessoas passam a olhar uma para as outras como possíveis assaltantes e a mutuamente se evitar. Neste cenário, o mínimo que pode acontecer no relacionamento pessoal será a indiferença, provocando nas pessoas hostilizadas e desamparadas a necessidade de uma atmosfera de hospitalidade que as alivie.
 Hospitalidade é abrir as portas de nossa casa. Tem a ver com abrir-se aos estranhos e fazê-los participar de nosso mundo. Ao abrirmos as portas de nossas casas criamos vizinhança. Vizinhança é reconhecer o outro diferente como parte de nós mesmos. É acolher aquele que é diferente de mim e lavar-lhe os pés. Na “boa acolhida”, quem chega não é meramente tolerado, mas celebrado. Não é apenas atendido, mas cuidado e agasalhado. Quem chega não encontra apenas alimento e cama, mas empatia e escuta.
As CEBs são terreno fértil para cultivo da hospitalidade. Com certeza, nas reflexões que acontecerão durante o próximo 14º Intereclesial e na carta que será enviada a todas as Comunidades Eclesiais de Base, estas três virtudes -  misericórdia, justiça e hospitalidade – serão fortemente realçadas como parte constitutiva de uma possível resposta aos atuais “desafios do mundo urbano”.
 
 
 


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