Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 04/01/2018 às 08:13:55

A festa dos Reis Magos (Epifania)

         

No próximo dia 07 vamos celebrar a solenidade da Epifania do Senhor. Para o povo é a festa dos Reis Magos.

         Segundo os testemunhos de Santo Epifânio, Santo Efrém, de Cassiano e outros escritores do início da Igreja, no Oriente, neste dia se celebrava o nascimento de Jesus. A monja espanhola Etéria, que na última década do século IV fez uma peregrinação à Terra Santa, descreve as celebrações que ali se realizavam. Falando das grandes festas do ano, cita a Páscoa e a Epifania, mas não fala do Natal. Segundo este testemunho de Etéria, a Epifania era uma festa muito solene que se prolongava por oito dias seguidos. A obra conhecida como “Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo”, escrita por volta do século V, coloca a Epifania entre as grandes festas, ao lado da Páscoa e de Pentecostes, sem também citar o Natal. Em Alexandria, na celebração da Epifania o Bispo publicava a Epistola festalis, uma espécie de carta pastoral em que anunciava a data da festa da Páscoa daquele ano. Em nossos dias, depois da reforma litúrgica prevista pelo Concílio Vaticano II, este anúncio é feito pelo padre que preside a celebração, logo após a oração de pós-comunhão. Em seu livro “Origens do Culto Cristão” Lucien Duchesne  afirma que, no século IV, a festa da Epifania era celebrada em todas as Igrejas do Oriente. Nela se comemorava o nascimento e o Batismo de Jesus bem como a adoração dos Magos.

         A Epifania passou a ser conhecida no Ocidente a partir do século IV, para celebrar, não o nascimento de Jesus, mas a chegada dos Reis Magos e a manifestação da divindade de Cristo. Desta forma, na liturgia do Ocidente as duas festas se complementam. No Natal Deus se faz homem e na Epifania se manifesta aos homens como Deus.

         Vejam o que diz, em um de seus sermões, São Leão Magno que foi papa durante vinte um anos, de 440 a 461: “Celebramos há pouco o dia em que a Virgem imaculada deu à luz o Salvador dos homens e agora, amados filhos, a venerável festa da Epifania vem prolongar nossa alegria. Assim em meio às solenidades sucessivas desses mistérios que se aparentam, o ardor de nosso entusiasmo e o fervor de nossa fé não poderão arrefecer. Na verdade, interessava à salvação de todo o gênero humano que a infância do Mediador entre Deus e os homens já fosse anunciada ao mundo quando ainda estava oculta numa humilde cidadezinha. Embora ele tivesse escolhido o povo de Israel e uma só família desse povo para aí assumir a natureza comum a toda a humanidade, não quis esconder as primícias de seu nascimento nos estreitos limites da habitação materna; mas quis ser logo conhecido por todos, aquele que se dignara nascer para todos. Eis porque apareceu a três magos, em terras do Oriente, uma estrela de insólito fulgor, mais brilhante e mais bela do que os outros astros, e capaz de atrair facilmente o olhar e a atenção daqueles que a observavam, fazendo-os logo perceber que uma coisa tão extraordinária não podia deixar de ter sentido. Aquele que apresentou este sinal tornou-o portanto compreensível aos que o viram; ele os fez procurar aquilo que lhes deu a compreender e se deixou encontrar pelos que o procuravam. (...). Os magos realizam  pois o seu desejo e, guiados pela mesma estrela, chegam até o menino, o Senhor Jesus Cristo. Adoraram o Verbo na carne, a Sabedoria na infância, a força na fraqueza e, na realidade de um homem, o Senhor de majestade. E para apresentarem uma homenagem de sua fé e de sua compreensão, testemunham, por meio de dons, aquilo que crêem em seus corações. Oferecem incenso ao Deus, mirra ao homem e ouro ao rei, venerando conscientemente na unidade a natureza divina e a natureza humana, pois as propriedades de cada substância se reuniam numa só dignidade”.

         Com estas orientações de São Leão Magno, celebremos com entusiasmo a Epifania do Senhor, assumindo o que rezamos no prefácio da missa: “Revelastes, hoje, o mistério de vosso Filho como luz para iluminar todos os povos no caminho da salvação. Quando Cristo se manifestou em nossa carne mortal, vós nos recriastes na luz eterna de sua divindade”.

 


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