Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 31/10/2017 às 16:48:27

Finados - Reflexão da Semana por Dom Manoel

O mês de novembro tradicionalmente começa com a lembrança de nossos familiares mortos. Com certeza, esta é uma oportunidade favorável para cada um de nós meditar as realidades últimas da vida na terra, avivar a própria esperança na ressurreição com Cristo e rezar em comunhão com os que nos precederam na fé.

A morte é uma questão difícil, mas impossível de evitar, diante da qual ninguém pode se esquivar. Segundo Max Scheler, a morte pertence à essência de nossa vida e Martin Heidegger dizia que “a vida é perpassada por uma iminência constante de morrer”. Não podemos, portanto, ignorar ou negar a nossa condição de mortais. Os vestígios de rituais funerais dão aos antropólogos e aos etnólogos a certeza de que o material arqueológico encontrado, em suas pesquisas, foi manipulado por seres humanos. Hoje, muitas pessoas fazem questão de que, após a morte, o próprio corpo seja cremado e a cinzas jogadas em qualquer lugar, para que não reste nenhum vestígio de sua passagem neste mundo.  Não será esta uma indicação de que estamos perdendo o sentido do que significa o ser humano, perdendo nossa humanidade?

Em vez de negar ou ocultar a realidade da morte, é preciso que a aceitemos como parte inerente de nossa existência, pois “diante da morte, o enigma da condição humana atinge seu ponto alto” (GS 18).

O ser humano é o único animal que sabe que vai morrer. Por isso “não se aflige somente com a dor e a progressiva dissolução do corpo, mas também, e muito mais, com o temor da destruição perpétua” (GS 18).

Segundo a fé cristã, com a morte, a vida ganha um rosto definitivo, se plenifica. A aceitação da morte faz com que a vida seja vivida com sentido e intensidade.

Muitas pessoas se perguntam se existe um além depois da morte?

Em todas as civilizações, desde as mais primitivas até o Ocidente desenvolvido, a morte nunca foi interpretada como um aniquilamento, ou um fim absoluto. Foi sempre vista como uma mudança de vida, uma espécie de etapa na continuidade da existência. Os solenes funerais dos líderes da antiga e ateia União Soviética são a comprovação prática desta crença.

Para a fé cristã três são as possibilidades após a morte. Duas são definitivas: o céu (ressurreição para a vida) e o inferno (ressurreição para a morte). A terceira é transitória: o purgatório para os que passaram na terra fazendo o bem, mas que na hora da morte ainda não tinham feito uma plena e total opção por Deus.

O céu – ressurreição para a vida.  Os cristãos professam sua fé na vida eterna, ou seja, que depois da morte se abrem para a pessoa uma nova maneira de existir. No plano de Deus a vida eterna só pode ser positiva. Na linguagem tradicional, esta fé se define como céu.

A certeza da vida eterna está na ressurreição de Jesus. “Se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia e também é vazia a fé que vocês têm” (1Cor 15,14). “Se a nossa esperança em Cristo é somente para esta vida, nós somos os mais infelizes de todos os homens” (1Cor 15,19).

Outra pergunta que com freqüência surge é a de como será o céu. Com certeza o céu será surpresa total. Tudo o que imaginarmos não se igualará ao que Deus tem preparado para os seus eleitos. “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” (1Cor 2,9).”Tenho para mim, que o sofrimento da vida presente não tem proporção alguma com a glória futura que se nos manifestará” (Rm 8,18).  

O inferno – ressurreição para a morte. Existe, porém, a possibilidade de o ser humano, contra a vontade de Deus, escolher uma vida eterna negativa. A vontade de Deus é que todos se salvem,no entanto, Deus respeita a pessoa com sua liberdade.A pessoa pode livremente rejeitar até o último momento tudo aquilo que Deus oferece.Com essa atitude criaria uma situação de afastamento definitivo de Deus.Na linguagem tradicional esta situação se chama inferno. Deus é um pai de infinita bondade e misericórdia, mas o homem, na sua liberdade, pode rejeitar o seu amor e o seu perdão de maneira definitiva. Inferno não significa um lugar definido, mas a situação daquele que, de maneira livre e definitiva, se afastou de Deus.

O purgatório – situação de transição para o céu. Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tendo garantida a sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária e entrar na alegria do céu. A Igreja chama de Purgatório esta purificação final (cf.1Cor 3,15; 1Pd 1,7; Mt 12,32). 


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