Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 11/10/2017 às 14:52:11

Nossa Senhora Aparecida

Encerrando o Ano Mariano proclamado para comemorar o tricentenário do encontro da imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul, no último dia 12 de outubro, em sintonia com os peregrinos que foram até o santuário nacional, o Brasil inteiro homenageou a Mãe do Salvador e nossa mãe, sob o título de Nossa Senhora Aparecida.
O Ano Mariano teve início no dia 11 de outubro do ano passado, com a inauguração, ao lado do Santuário Nacional, de um lindo campanário, projeto do célebre arquiteto Oscar Niemeyer. O encerramento foi marcado pela a inauguração da cúpula central, na noite do dia 11, projeto do não menos famoso artista Cláudio Pastro.   
A CNBB, ao proclamar o Ano Mariano, tinha como objetivo fazer crescer ainda mais o fervor da devoção do povo brasileiro para com Nossa Senhora e aumentar sempre mais a alegria em atender o seu pedido de por em prática tudo o que seu Filho Jesus nos ensinou (Jo 2,5). 
De acordo com Dom Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília e Presidente da CNBB, este Ano Mariano teve a intenção de fazer a população voltar o coração para Nossa Senhora e reaprender com ela como seguir Jesus Cristo e como ser cristão nos dias de hoje. Dom Sérgio também enfatizou que este Ano Mariano queria ser um ano de intensa evangelização, com Maria, contando com sua proteção, seguindo seus exemplos, indo ao encontro dos irmãos para compartilhar a alegria da fé em Cristo.
De fato, apesar da arraigada devoção de nosso povo para com Nossa Senhora Aparecida, nem sempre, temos consciência do que ela significa para a nossa vida de discípulos e missionários do Reino de Deus. Foi o Papa Francisco, no discurso que fez aos Bispos do Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro que, numa profunda reflexão, chamou nossa atenção para o rico tesouro que está em nossas mãos. Aproveito este momento para repetir o que nos disse o Papa.
“Em Aparecida, Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe. Em Aparecida, Deus deu também uma lição sobre si mesmo, sobre seu modo de ser e agir. Uma lição sobre a humildade que pertence a Deus como traço essencial e que está no seu DNA. Há, em Aparecida, algo perene para aprender sobre Deus e sobe a Igreja; um ensinamento, que nem a Igreja do Brasil nem o próprio Brasil devem esquecer.
No início do evento que é Aparecida, está a busca dos pescadores pobres. Tanta fome e poucos recursos. As pessoas sempre precisam de pão. Os homens partem sempre das suas carências, mesmo hoje.
Possuem um barco frágil, inadequado; têm redes velhas, talvez mesmo danificadas, insuficientes.
Primeiro, há a labuta, talvez o cansaço, pela pesca, mas o resultado é escasso: um falimento, um insucesso. Apesar dos esforços, as redes estão vazias. 
Depois, quando foi da vontade de Deus, comparece ele mesmo no seu Mistério. As águas são profundas e, todavia, encerram sempre a possibilidade de Deus; e ele chegou de surpresa, quem sabe quando já não o esperávamos. A paciência dos que esperam por ele é sempre posta à prova. E Deus chegou de uma maneira nova, porque Deus é surpresa: uma imagem de barro frágil, escurecida pelas águas do rio, envelhecida também pelo tempo. Deus entra sempre nas vestes da pequenez.
Vem então a imagem da Imaculada Conceição. Primeiro o corpo, depois a cabeça, em seguida a junção do corpo e cabeça: a unidade. Aquilo que estava quebrado retoma a unidade. O Brasil colonial estava dividido pelo muro vergonhoso da escravatura. Nossa Senhora Aparecida se apresenta com a face negra, primeiro dividida, mas depois unida, nas mãos dos pescadores.
Há aqui um ensinamento que Deus quer nos oferecer. Sua beleza refletida na Mãe, concebida sem pecado original, emerge da obscuridade do rio. Em Aparecida, logo desde o início, Deus dá uma mensagem da recomposição do que está fraturado, de compactação do que está dividido. Muros, abismos, distâncias ainda hoje existentes estão destinados a desaparecer. A Igreja não pode descurar esta lição: ser instrumento de reconciliação.
Os pescadores não desprezam o mistério encontrado no rio, embora seja um mistério que aparece incompleto. Não jogam fora os pedaços do mistério. Esperam a plenitude. E esta não demora a chegar. Há aqui algo de sabedoria que devemos aprender. Há pedaços de um mistério, como partes de um mosaico, que vamos encontrando. Nós queremos ver muito rápido a totalidade; e Deus, pelo contrário, se faz ver pouco a pouco. Também a Igreja deve aprender esta expectativa.
(....)
Há muito para aprender com o evento de Aparecida. (...). Falamos de missão, de Igreja missionária. Penso nos pescadores que chamam seus vizinhos para verem o mistério da Virgem. Sem a simplicidade do seu comportamento, a nossa missão está fadada ao fracasso”.


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