Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 19/07/2017 às 15:19:02

Joio e trigo       

 

 

  Vive-se hoje entre duas tendências opostas e excludentes: a do relativismo absoluto e a da intolerância absurda. As conseqüências tanto de uma quanto de outra serão a anarquia e a violência.

Christian Smith, professor de sociologia na Universidade de Nôtre Dame, nos EUA publicou um livro intitulado Lost in Transition: the Dark Side of Emerging Adulthood (Oxford University Press).= Perdidos na Transição: O lado escuro dos adultos emergentes.

         Trata-se de uma pesquisa com jovens de 18 a 23 anos. O primeiro capítulo intitula-se À deriva moral. Nele aparece que os jovens têm uma visão muito individualista da moral. Eles acham que ninguém pode ser moralmente julgado. Todos têm direito a opiniões pessoais. Segundo esta postura algumas ações são adequadas e outras menos adequadas. Não se pode dizer, porém, que algo seja objetiva e moralmente bom ou mau. A idéia de que a moral é uma construção da sociedade e da cultura pode chegar tão longe que, num debate, um jovem não exprimiu juízo negativo sobre a escravidão. Outro defendeu a retidão moral dos terroristas que causam a morte de multidões. “Eles (os terroristas) são assim, fazem o que acham que é melhor, por isso fazem o bem”.

         Trinta e quatro por cento dos entrevistados declarou que não sabia o que tornava algo moralmente correto ou incorreto. Alguns sequer entenderam as perguntas sobre o assunto.

         O autor conclui sua pesquisa dizendo que os adultos emergentes, ou seja, a juventude de hoje, têm muita pouca bagagem para encarar os desafios do presente e do futuro, e formam uma geração que fracassou na formação moral.

Num outro livro, intitulado Future Cast: What Today´s Trends Mean for Tomorrow World = Projetando o Futuro: O que as Tendências de Hoje significam para o Mundo de Amanhã (Barna Books) escrito por George Barna, fundador do Barna Research Group, o autor constata que apenas 34% dos adultos acredita que existe uma moral absoluta e somente 45% crê “firmemente” que a Bíblia acerta em todos os princípios que ensina. Entre os nascidos de 1984 em diante a cifra cai para 30%.

Um psiquiatra, aqui no Brasil, citado por D. Caetano Ferrari, Bispo de Bauru, sem identificá-lo afirma o seguinte: “A cultura pela qual eu luto tenta propor a menor gestão das vidas possível. É inspirada por um grande valor (o maior talvez) da cultura burguesa (desde os libertinos do século 17, até hoje) – a idéia de que na vida privada, cada um pode encontrar os prazeres de sua vida livremente – óbvio, com o consentimento dos que o acompanham. Ninguém deve se comportar conforme algum código de comportamento que vale para sempre, pois não há idéias e valores como verdades eternas, tudo não passa de construções humanas, históricas, mutáveis com o tempo”

         Estas pessoas vivem sob o domínio do relativismo. Neste clima não é possível uma ordenação social. Fatalmente se cairá na anarquia e no caos social.

         Outra pesquisa feita com 15 mil alunos, a partir dos 14 anos e uma parcela de seus pais constatou que dos 18.600 ouvidos, 96,5% admitiram ter preconceitos contra pessoas com deficiência; 94,2% assumiram discriminação contra etnias e raças; 87,3% condenam pessoas por causa da orientação sexual.

         A pesquisa constatou também que os entrevistados excluíam de seu convívio e brincadeiras as vítimas de seus preconceitos. Aqui também a vida social se torna inviável. O exemplo mais recente é o estado islâmico que semeia a violência e o horror onde se instala.

         O cristão não pode deixar-se seduzir por nenhuma destas tendências. Nem relativismo absoluto, nem a intolerância absurda.

         A parábola do joio e do trigo, que vai ser proclamada e refletida nas celebrações do próximo domingo, ilustra de forma magistral como deve ser o comportamento dos cristãos.

         Quando os empregados estão prontos para arrancar o joio, o patrão intervém e não permite. “Pode acontecer que, arrancando o joio, vocês arranquem também o trigo. Deixem crescer um e outro até a colheita”.

         A proposta, portanto, é a da paciência e da tolerância. Trigo não é joio e joio não é trigo como querem os relativistas, mas também não é possível uma lavoura de trigo sem a presença de algum joio, como querem os intolerantes radicais.

         Não existe o mal quimicamente puro, nem o bem quimicamente puro. Por isso é falsa a opinião, tanto dos que acham ser tudo permitido, quanto dos que tudo ou quase tudo condenam.

         A vontade de Deus é que todos convivam, sem se excluírem, até o momento final da opção definitiva.


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