Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 13/06/2017 às 15:36:15

Santo Antônio: Professor, exímio pregador e grande missionário

Em todo o mês de junho, por toda parte, pululam as festas juninas. Quase todas de caráter secular. Sua origem, no entanto, é religiosa. Nasceram para homenagear três santos muito populares em todo o Brasil – Santo Antônio, São João Batista e São Pedro.

         Nesta semana, vamos deter nosso olhar na figura de Santo Antônio que foi excelente professor de teologia, exímio pregador e grande missionário.

Foi o primeiro professor de teologia da Ordem Franciscana, nomeado diretamente por São Francisco que lhe escreveu o seguinte bilhete:

A Frei Antônio, meu Bispo, Frei Francisco envia saudações.

Apraz-me que ensines teologia aos frades, contanto que por tal estudo não extingas o espírito da oração e devoção, como está contido na Regra.

Lecionou em Bolonha, Toulouse e Montpellier. Seus cursos eram intensivos e de pouca duração. O conteúdo ministrado, porém, era de excelente qualidade. O Papa Pio XII, na Bula em que concede a Santo Antônio o título de “Doutor da Igreja”, declara que ele foi “exegeta peritíssimo na interpretação da Sagrada Escritura, teólogo exímio nas verdades dogmáticas, bem como insigne doutor e mestre em tratar as questões de ascética e mística”.

A fama de grande pregador nasceu de forma muito singular. Em setembro de 1222, por ocasião da ordenação sacerdotal de alguns frades, não se encontrou ninguém disposto a fazer a homilia. O superior da casa, não tendo a quem recorrer, manda que Frei Antônio anuncie a Palavra de Deus aos frades ali reunidos conforme o Espírito Santo lhe inspirasse. Frei Antônio, que até então havia sido um simples ajudante na cozinha e na horta do convento, obedeceu ao superior. Suas palavras, cheias de simplicidade e bom senso, tocaram a mente e o coração de todos os presentes. Os comentários elogiosos logo chegaram aos ouvidos do Ministro da Ordem que o encarregou do ofício de pregador.

         Nesta função não teve medo de chamar a atenção de autoridades civis e eclesiásticas, quando se tratava de defender os pobres e fracos da sociedade de então.

         Num de seus sermões, ao comentar a passagem do livro do Gênesis onde José é vendido pelos irmãos, faz a seguinte afirmação: “O verdadeiro José, Jesus Cristo, hoje é vendido por negociantes Arcebispos e Bispos e demais prelados da Igreja. Correm por aqui e acolá, compram, vendem e revendem a verdade com mentiras e oprimem a justiça com simonias”.

         Para as autoridades civis, as palavras de Santo Antônio são igualmente provocadoras e convincentes. Em 1231, depois de ter passado toda a Quaresma pregando contra a agiotagem e a usura, alcançou da Comuna de Pádua o seguinte decreto:

         “A pedido do venerável Frei Antônio da Ordem dos frades menores, foi estabelecido e ordenado que ninguém, por causa de algum ou de muitos débitos pecuniários, do passado, do presente ou do futuro, fique retido na prisão (...). E que este estatuto não venha a sofrer modificações de nenhum tipo ou engenho, nem ser diminuído ou suprimido, seja por quem o deseje alterar, seja por intermédio do concelho, mas que permaneça sempre imutável”.

         Enquanto missionário percorreu todo o norte da Itália e o sul da França. Seus sermões muito contribuíram para a superação das heresias de seu tempo.

Uma de suas primeiras biografias, também conhecidas como Legendas, assim descreve a atividade missionária de Santo Antônio:

“Manteve disputas públicas com os hereges em Rimini, Tolosa e Milão. Com a sua sabedoria sagrada sabia desmascarar os hereges, de maneira que nenhum ousava confrontar-se com ele. (...) Nunca havia aí estado uma outra pessoa como ele, que tivesse feito uma guerra sem tréguas aos hereges, de modo que acabou habitualmente sendo chamado de Martelo dos hereges”.

         Esta descrição sugere uma imagem de polemizador virulento e de implacável inimigo dos hereges. Tudo indica, no entanto, que a ação missionária de Santo Antônio junto aos hereges tenha sido marcada pela caridade e pela bondade, embora cheia de zelo e ardor apostólico. Estudos recentes têm concluído que “a missão evangelizadora de Santo Antônio entre os hereges e distanciados, mais que (...) cruzada contra os hereges, aparece como referência evangélica radical (...) com a identificação com Cristo e com a força da obediência e do mesmo Evangelho que o enviam para salvar e atrair para a Boa Nova da salvação. (...). Mais que ‘martelo dos hereges’ é um dialogante e um missionário”.

Como se pode ver, Santo Antônio não é apenas o santo casamenteiro e aquele cuja intercessão permite achar as coisas perdidas. Antes de tudo foi um homem comprometido com o Evangelho que priorizava os fracos e os pobres. Por causa desta sua opção, mais do que por outras, ele merece a nossa admiração e a nossa devoção.


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