Palavra do bispo Dom Manoel João Francisco

Postado dia 17/01/2017 às 16:06:38

Semana Universal de Oração pela Unidade dos Cristãos”

Do dia 18 deste mês de janeiro, festa da Confissão de São Pedro, até o dia 25, festa da Conversão de São Paulo, acontecerá, em toda a Europa e demais países do hemisfério norte, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Aqui no Brasil e nos países do hemisfério sul, esta atividade acontece na semana que antecede a Solenidade de Pentecostes. Neste ano será de 28 de maio até 04 de junho.

         Segundo o Concílio Vaticano II, “a conversão do coração, a busca de santidade e as orações particulares e públicas pela unidade dos cristãos, devem ser tidas como a alma de todo o movimento ecumênico, e com razão, podem ser chamadas ecumenismo espiritual” (UR 8).

         Nós católicos, embora tenhamos aderido oficialmente ao movimento ecumênico institucional somente após a publicação do Decreto Unitatis Redintegratio, em 1964, desde a segunda metade do século XIX, estamos envolvidos nesta proposta de ecumenismo espiritual. Em vários movimentos de renovação espiritual daquele tempo incentivava-se a oração pela unidade dos cristãos.

         Santos como Vicente Pallotti (1795-1850) e Luís Orione (1872-1940), ambos importantes promotores da renovação pastoral em Roma, assim como Adolfo Kolping (1813-1865) e o Bispo Dom Ketteler (1811-1877), célebres pela sua preocupação social, junto aos mais pobres, na Alemanha, foram também grandes promotores e apoiadores de grupos que se dedicavam à oração pela unidade dos cristãos.

         Em 1865, o Papa Leão XIII, através do Breve Providae Matris recomendou a introdução de uma Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, a ser realizada na primeira semana após a Solenidade de Pentecostes. Como motivação, escreveu o Papa: “Trata-se de rezar por uma obra comparável à renovação do primeiro Pentecostes onde, no Cenáculo, todos os fiéis estavam congregados em redor da Mãe de Jesus, unânimes no pensamento e na oração”. Dois anos mais tarde, na Encíclica Divinum illud múnus, o Papa voltou a chamar a atenção dos católicos para a importância e a necessidade da oração para que o bem da unidade dos cristãos pudesse amadurecer.

         Em 1908, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos teve um novo impulso, quando o Pe. Paul Wattson, anglicano convertido ao catolicismo, deu início ao que ele chamou de “oitava de orações pela unidade da Igreja”, a ser celebrada, do dia 18, festa da Confissão de São Pedro, até o dia 25 de janeiro, festa da Conversão de São Paulo.

         A intenção, no entanto, não era genuinamente ecumênica. Para o Pe. Paul Wattson, a finalidade da unidade era o retorno à Igreja católica. O caráter ecumênico das Semanas de Oração pela Unidade dos Cristãos, no verdadeiro sentido da palavra, aparece entre os católicos somente a partir de 1936 com o Abade Paul Couturier (1881-1953) de Lião (França). Ele mudou o nome de “Oitava de Oração pela Unidade da Igreja” para “Semana Universal de Oração pela Unidade dos Cristãos”.  Segundo ele, nossa oração deve ser para que a unidade da Igreja aconteça “como Cristo quer e segundo os instrumentos que ele mesmo deseja”.

         Através dos anos, vários foram os organismos que se responsabilizaram pela organização e realização da Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos. Desde 1966, esta atividade tem sido um projeto conjunto da Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos da Igreja Católica.

         Cada ano, grupos ecumênicos de um determinado país preparam o texto a ser usado. O texto de 2017 tem como tema: “Reconciliação – É o amor de Cristo que nos impele” (cf. 2Co 5,4-20). Foi preparado pela Comissão Ecumênica Alemã que definiu dois destaques: 1) Ser um dos vários atos comemorativos dos 500 anos da Reforma Luterana. Neste sentido, as celebrações previstas para os vários dias destacam, em primeiro lugar, o amor de Deus que “justifica toda a humanidade somente pela graça”, conforme o ensinamento de Lutero; 2) Chamar a atenção para a dor e as profundas divisões que a Reforma provocou na Igreja. Por isso, nas celebrações, os fiéis devem confessar e pedir perdão pela culpa das divisões, na certeza de que o amor e a misericórdia de Deus não falham, pois ele é fiel. As celebrações devem ser ainda uma oportunidade para pedir a graça da reconciliação à qual somos impelidos pelo amor de Cristo.

         Neste ano em que, pela primeira vez, católicos e luteranos celebram de forma ecumênica a Reforma desencadeada por Lutero em 1517, somos todos convidados a fazer da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos um de seus momentos mais fortes.


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